Thursday, June 28, 2007

A Saga dos Aznar (parte 1)


Há muito muito tempo, era eu uma criança havia um jornal chamado “O Século”.
Esse jornal tinha um suplemento infantil muito popular de nome “Pim Pam Pum”. Não me lembro em que dia da semana saía o dito suplemento, recordo apenas que o meu avô o guardava para eu ‘ler’ quando lá ia a casa. Vinha no meio do jornal e era necessário depois de dobrar as páginas correctamente, cortá-las com uma faca, tarefa feita com cuidado pelo avô perante o olhar por vezes atento do neto. As páginas do “Pim Pam Pum” eram em papel do mesmo tipo das do jornal. A impressão por isso mesmo não tinha lá muita qualidade, conseguindo-se mesmo assim algum colorido com azul e vermelho! Pois. Mas o que era isso para um puto desejoso de ver os 'quadradinhos'? Lá estavam os passatempos próprios para as crianças, as histórias aos quadradinhos (ou quadrinhos, como soar melhor) e alguma leitura para aqueles mais velhos que já sabiam ler.

Anos mais tarde, quando andei a fazer umas arrumações encontrei alguns exemplares desse suplemento que tinham escapado miraculosamente ao destino do homem do lixo. Ao folhear as páginas encontrei uma pérola que até aquela data desconhecia existir. E deixou-me curioso. Tratava-se de uma história aos quadradinhos sobre um personagem com um nome espanhol, “Angel Aznar”, e que era passada num qualquer futuro distante. Tinha descoberto uma história de ficção científica perdida num envelope cuidadosamente protegido do exterior qual cápsula do tempo! A princípio não consegui descobrir grande coisa sobre as suas origens. Era hábito antigamente não se colocar o nome dos autores das histórias, pois estas eram vendidas por sindicância (do inglês syndicate) contendo apenas o ‘copyright’ que era usualmente da desaparecida e ubíqua, Agência Portuguesa de Revistas. Esta história não era excepção.

(à suivre)

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